Os servidores públicos federais iniciam oficialmente a Campanha Salarial de 2026 com a primeira rodada da Mesa Nacional de Negociação Permanente, marcada para esta quinta-feira (26), junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
A reunião será o primeiro teste de alinhamento entre governo e categoria após a apresentação da pauta pela Condsef/Fenadsef, que representa grande parte do funcionalismo do Poder Executivo.
O movimento marca a abertura de um ciclo de negociação que tende a ganhar intensidade nas próximas semanas, especialmente diante do histórico recente de perdas salariais.
Defasagem acumulada pressiona agenda de reajustes
Um dos principais drivers da mobilização é a defasagem salarial acumulada por diversas carreiras desde 2017. Em muitos casos, os servidores passaram anos sem recomposição inflacionária, o que gerou perda real de renda.
Apesar de avanços pontuais nos últimos anos, a percepção das entidades é de que as medidas adotadas ainda não foram suficientes para reequilibrar o poder de compra da categoria.
Principais pontos da pauta
A agenda apresentada ao governo combina demandas estruturais e financeiras, com foco em padronização e valorização do funcionalismo. Entre os principais pontos estão:
- Reestruturação remuneratória com proposta de tabela única para reduzir distorções entre carreiras;
- Regulamentação da negociação coletiva no setor público, com base em normas internacionais;
- Equalização de benefícios entre os três poderes;
- Ampliação de políticas de apoio (auxílios, saúde e endividamento);
- Revisão de regras previdenciárias e defesa de condições mais vantajosas de aposentadoria.
Mobilização ganha tração com agenda nacional
Além da mesa de negociação, a categoria já estruturou um calendário de mobilização para aumentar pressão institucional.
O destaque é a participação na Marcha da Classe Trabalhadora, prevista para 15 de abril, em Brasília. A expectativa é levar a pauta diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Também estão previstas assembleias, reuniões setoriais e uma plenária nacional nos dias seguintes, com foco em definir os próximos passos da estratégia sindical.
Governo sinaliza limites fiscais
Do lado do Executivo, o discurso tem sido de cautela. O governo reconhece a existência de perdas salariais, mas reforça que eventuais reajustes precisam respeitar os limites do novo arcabouço fiscal.
Segundo o MGI, o crescimento das despesas com pessoal vem sendo mantido dentro de parâmetros controlados, o que pode restringir avanços mais amplos no curto prazo.
Leitura estratégica
A reunião desta semana funciona como um marco inicial de negociação, mas também como termômetro político. A depender do posicionamento do governo, o cenário pode evoluir para um ambiente de maior convergência — ou escalar para intensificação das mobilizações.
No pano de fundo, está um clássico trade-off do setor público: recomposição salarial vs. responsabilidade fiscal, com impacto direto na agenda econômica e na relação com o funcionalismo.
Fonte: Condsef