Autônomas podem ter licença-maternidade sem período de carência no INSS

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INSS pode reconhecer o direito à licença-maternidade para trabalhadoras autônomas sem exigir período mínimo de contribuição (carência), ampliando o acesso ao benefício para quem não possui vínculo formal de trabalho.
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode permitir que mulheres que atuam por conta própria tenham direito ao salário-maternidade sem precisar cumprir período de carência prévia.

A discussão surge em meio a entendimentos que ampliam a proteção previdenciária às autônomas, reconhecendo que a condição de contribuinte individual não pode ser barreira para o acesso ao benefício em virtude da maternidade.

A intenção é reconhecer que o vínculo formal com o mercado de trabalho nem sempre reflete a realidade das mulheres que atuam por conta própria, especialmente em atividades com remuneração variável ou instável.

O que pode mudar para as autônomas

Historicamente, o salário-maternidade para contribuintes individuais exigia o cumprimento de um período mínimo de contribuições para que o benefício fosse liberado.

O entendimento que vem ganhando espaço, tanto no meio jurídico quanto na interpretação administrativa, é de que esse período de carência pode ser dispensado quando comprovada a condição de segurada e o nascimento ou adoção da criança.

Isso aproxima a proteção das autônomas daquela reconhecida às seguradas empregadas, que geralmente têm direito ao benefício independentemente de carência quando comprovada a filiação ao regime.

Fundamentação da mudança

A evolução desse entendimento decorre da interpretação de princípios constitucionais relacionados à proteção à maternidade e à previdência social.

Argumenta-se que a exigência de carência para determinadas categorias de seguradas — como as que contribuem por conta própria — pode representar barreira injustificada ao exercício de um direito fundamental.

A discussão também está alinhada com decisões judiciais que têm favorecido a eliminação de requisitos que não se adequam à realidade de trabalhadores com vínculos atípicos ou instáveis.

Impacto para mulheres que atuam por conta própria

Essa possibilidade significa que um número maior de mulheres poderá ter acesso ao salário-maternidade sem a necessidade de comprovar um mínimo de contribuições anteriores.

Na prática, a dispensa da carência pode tornar o benefício mais acessível e reduzir desigualdades entre trabalhadoras com diferentes vínculos de trabalho.

Isso é especialmente relevante em contextos em que a formalização do trabalho é mais difícil ou quando a renda depende de atividades autônomas e intermitentes.

Caminhos para reconhecimento

A aplicação dessa interpretação poderá ocorrer tanto administrativamente quanto por meio de decisões judiciais.

Muitas demandas já têm sido submetidas ao Judiciário, propondo o reconhecimento do direito à licença-maternidade sem carência para contribuintes individuais.

A consolidação desse entendimento dependerá da uniformização da interpretação pelo INSS e pelos tribunais, dando maior segurança jurídica às autônomas que buscam o benefício.

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Editorial Dias e Lima

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