Representantes da enfermagem denunciam descumprimento do piso salarial e alertam para greve nacional

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Categoria aponta que maioria dos profissionais ainda recebe abaixo do valor legal e cobra fiscalização dos repasses federais.
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Representantes da enfermagem participaram de uma audiência pública na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados para denunciar o descumprimento generalizado do piso salarial da categoria. A Lei 14.434/22, que estabeleceu os valores mínimos para enfermeiros, técnicos e auxiliares, está em vigor desde 2022, mas, segundo os profissionais, ainda não é uma realidade para a maior parte da classe.

Durante o debate, lideranças sindicais e conselhos de classe alertaram que, caso estados, municípios e instituições privadas continuem desrespeitando a legislação, a categoria poderá deflagrar uma greve nacional. A insatisfação é agravada pela sobrecarga de trabalho e pelas jornadas excessivas enfrentadas pelos profissionais de saúde.

Dados Alarmantes e Precarização do Trabalho

Dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam um cenário preocupante: 53,5% dos enfermeiros, 68,4% dos técnicos em enfermagem e 38,7% dos auxiliares ainda recebem salários inferiores ao piso estabelecido por lei.

A chefe da Divisão de Fiscalização do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) destacou que muitos profissionais são obrigados a manter múltiplos empregos para garantir uma renda suficiente. Além disso, as fiscalizações têm detectado irregularidades frequentes, como subdimensionamento das equipes e precarização das condições de trabalho.

O Impasse da Jornada e os Repasses da União

Um dos principais pontos de conflito é a decisão provisória do Supremo Tribunal Federal (STF) que vinculou o pagamento do piso a uma jornada de 44 horas semanais, permitindo o pagamento proporcional para cargas horárias menores. A categoria defende a aprovação da PEC 19/24, que vincula o piso a uma jornada de 36 horas semanais.

•Repasses Federais: O Ministério da Saúde informou que, entre 2023 e 2026, já repassou R$ 31 bilhões para estados e municípios complementarem o pagamento do piso.

•Falta de Repasse na Ponta: Representantes da categoria questionam por que os recursos federais não estão chegando aos contracheques dos trabalhadores em diversos municípios.

•Ação Parlamentar: Deputados propuseram incluir a fiscalização dos recursos destinados ao piso da enfermagem no Plano Anual de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, com atuação conjunta do Tribunal de Contas da União (TCU).

A enfermagem brasileira segue mobilizada, exigindo que o reconhecimento aplaudido durante a pandemia se traduza, efetivamente, em valorização salarial e respeito aos direitos conquistados.

Fonte: camara.leg.br

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Editorial Dias e Lima

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