MPTO apura descredenciamento de clínicas e possível desassistência a usuários do Servir

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Inquérito apura interrupção de tratamentos e falta de especialistas para servidores públicos estaduais do Tocantins.
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O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) instaurou um inquérito civil público para investigar possíveis irregularidades na gestão do plano de saúde Servir, voltado para os servidores públicos estaduais. A apuração, conduzida pela 9ª Promotoria de Justiça da Capital, foca em denúncias de descredenciamento de clínicas, escassez de médicos especialistas e interrupção de tratamentos essenciais.

A investigação foi motivada por uma série de reclamações registradas por beneficiários entre os anos de 2025 e 2026. Um dos casos emblemáticos que impulsionou a ação do MPTO envolve uma servidora que teve seu tratamento psiquiátrico interrompido abruptamente devido ao descredenciamento unilateral de uma clínica em Palmas. Mesmo com a cobertura prevista no plano, a paciente foi obrigada a arcar com os custos de consultas particulares para não descontinuar o acompanhamento médico.

Escassez de especialistas e dificuldades de atendimento

Além do descredenciamento de unidades de saúde, as denúncias apontam para um cenário de dificuldade generalizada no acesso a serviços médicos. Beneficiários relatam a ausência de profissionais em especialidades fundamentais, como ginecologia, neurologia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

As queixas também incluem obstáculos frequentes para a marcação de consultas e exames, além de negativas recorrentes de atendimento. Outro ponto de insatisfação é o aumento dos custos para a inclusão e manutenção de dependentes no plano, situação que contrasta com a continuidade dos descontos realizados diretamente na folha de pagamento dos servidores.

Atrasos nos repasses a prestadores de serviço

Um dos focos centrais da investigação é a suspeita de atrasos significativos nos repasses financeiros aos prestadores de serviço credenciados. Informações preliminares levantadas pelo órgão indicam que os pagamentos às clínicas e hospitais poderiam estar atrasados por mais de 120 dias.

Essa inadimplência seria a principal causa do descredenciamento em massa de clínicas e do afastamento de profissionais médicos da rede de atendimento, resultando na desassistência direta aos servidores e seus dependentes.

Prazos e exigências do Ministério Público

Diante da situação, a Promotoria de Justiça officiou a Secretaria de Administração do Estado e a diretoria responsável pelo plano Servir, estipulando um prazo de 10 dias para a apresentação de esclarecimentos detalhados. O MPTO exige:

  • Lista atualizada de todos os profissionais e clínicas atualmente credenciados.
  • Número total de beneficiários atendidos.
  • Informações precisas sobre os supostos atrasos nos pagamentos, com valores, prazos e identificação dos prestadores afetados.

Os gestores deverão esclarecer se a redução da rede credenciada está, de fato, atrelada à inadimplência do poder público — hipótese que pode agravar ainda mais o cenário de desassistência para os servidores estaduais e seus dependentes.

Fonte: AF Notícias

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Editorial Dias e Lima

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